Consultório José Caminha - Exames

Patologia do Sono

A apneia do sono

Cansaço ao acordar, excesso de sono durante o dia com compromisso nas actividades de carácter social e profissional, dificuldade em conduzir por sono ao volante, frequentemente com referência a acidentes já ocorridos ou evitados em situação limite, roncopatia, sugerem com grande probabilidade uma Síndrome de Apneia do Sono.

Com frequência, a estas queixas mais sugestivas associam-se outras, nomeadamente diminuição da memória e de outras capacidades intelectuais, diminuição do interesse e da actividade sexual, necessidade de urinar durante a noite, irritabilidade e instabilidade emocional, suores nocturnos. O doente típico é obeso, com pescoço curto e largo. Contudo, a inexistência destes aspectos não exclui de modo algum o diagnóstico.

Perante a suspeita de uma Síndrome de Apneia do Sono é mandatório a realização de uma Polissonografia. Os estudos poligráficos do sono quando para diagnóstico devem preferencialmente ser realizados sob vigilância, isto é em internamento, incluindo monitorização de parâmetros electroencefalográficos,  respiratórios e electromiografia dos membros inferiores.

É possível realizar estudos completos em domicílio e os estudos reduzidos, com monitorização apenas dos parâmetros respiratórios devem ser reservados para os casos de forte suspeita diagnostica ou quando se pretende reavaliar a situação clínica após intervenção terapêutica.

Tratamento da Síndroma de Apneia do Sono

O tratamento da Síndroma de Apneia do Sono assenta em três atitudes fundamentais:

  1. Optimização do peso Corporal
  2. Intervenção cirúrgica sobre a Via Aérea Superior
  3. Ventilação não invasiva durante o sono, nomeadamente com CPAP

O CPAP (Continuos Positive Airway Pressure) consiste na aplicação contínua de pressão positiva à via aérea superior e é o tratamento de eleição para a Síndroma de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). O CPAP nesta condição actua como um sistema pneumático que utilizando o ar ambiente, estabiliza a via aérea superior e previne os seus colapsos periódicos durante o sono, o que permite restaurar a arquitectura normal do sono, levando à melhoria clínica dos sintomas atribuídos a esta entidade. Deve ser salientado que o CPAP é um tratamento sintomático e que portanto não corrige a condição patológica subjacente.

Mas ao considerar o tratamento cirúrgico deve ser feita previamente uma avaliação cuidada da via aérea superior, nomeadamente com recurso a cefalometria. Nos casos mais graves a uvulopalatofaringoplastia pode não ser suficiente, podendo ser necessária uma abordagem cirúrgica mais complexa. Quando se decide por tratamento cirúrgico, não se perde necessariamente indicação para CPAP mas pelo contrário poderá haver benefício da sua utilização no pré-operatorio, para melhoria sintomática, para melhoria do território a intervencionar e porque minimiza os riscos anestésicos no pós-operatório.

A optimização do peso corporal tem grande impacto na melhoria da SAOS e deve ser conseguida antes de intervenção cirúrgica sobre a via aérea.

Indicações para o tratamento CPAP

A grande indicação para CPAP são os doentes com um Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) superior ou igual a 30, independentemente da existência e da intensidade dos sintomas. Nestes casos, o CPAP é o tratamento de escolha.

Para valores de IAH compreendidos inferiores a 30 a sua utilização é condicionada pela existência de sintomas atribuíveis à SAOS, pela existência documentada de doenças cardiovasculares, nomeadamente hipertensão arterial, doença cardíaca isquémica ou acidente vascular cerebral.  O CPAP não está indicado para a SAOS de gravidade ligeira a moderada, em doentes assintomáticos e sem doença cardiovascular.

A pressão eficaz de CPAP é a que determina o desaparecimento das alterações respiratórias e do ressonar em todas as posições e em todos os estados de sono. Actualmente há aparelhos que geram uma pressão variável entre dois valores previamente escolhidos, que se designam por auto-CPAP. O seu funcionamento baseia-se na detecção de uma resistência ao fluxo que leva a um aumento gradual da pressão, que cessa quando essa resistência é anulada. O inverso acontece com diminuições graduais de pressão quando é detectada menor resistência.

A eficácia do tratamento obriga a utilização de CPAP durante pelo menos 4 horas/noite em pelo menos 70% das noites. O tratamento com CPAP melhora os aspectos relacionados com a vitalidade, o relacionamento social e a saúde mental. A melhoria máxima dos sintomas neurocognitivos pode não ocorrer antes de dois meses de tratamento.

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